Autoexame de câncer de mama? 64% acreditam que é o melhor caminho, mas não é – 01/10/2022

Outubro começa e também chega, o Outubro Rosauma campanha de conscientização global sobre o câncer de mamamais incidentes no mundo e na população feminina brasileira, com exceção dos casos de câncer de pele não melanoma, e também o tipo de tumor que mais mata mulheres.

Embora tenha passado mais de uma década desde que o Ministério da Saúde e o Inca (Instituto Nacional do Câncer) deixaram de indicar o autoexame das mamas como método de rastreamento desse tipo de tumor, ainda hoje é comum encontrar a recomendação de que a palpação das mamas e região das axilas em determinada época do mês é importante para detectar um tumor precocemente. Mas não é.

Um levantamento feito por ipeca (Inteligência em Pesquisa e Consultoria) com 1.397 mulheres, a pedido da farmacêutica Pfizer, e divulgado nesta semana, aponta que 64% das mulheres acreditam que o procedimento seria o principal meio de diagnóstico do câncer de mama em estágio inicial.

Na maioria dos casos, ao palpar as mamas é muito difícil fazer um diagnóstico precoce. Ou seja: identificar pequenos caroços (cerca de 1 cm) ou que ainda estão restritos ao ducto mamário – estrutura que transporta o leite durante amamentação. Com o autoexame, a mulher geralmente só encontra tumores maiores que 2 cm, o que significa que o câncer já pode estar em um nível avançado.

Foram entrevistadas mulheres de São Paulo (capital) e das regiões metropolitanas de Belém, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e Distrito Federal, com 20 anos ou mais.

Além da confusão em torno do papel do autoexame, a maioria das mulheres entrevistadas também demonstra desconhecer as recomendações médicas para a realização da mamografia, que pode detectar tumores menores que 1 cm.

Para 54% das entrevistadas, não fica clara a necessidade de realizar o procedimento se outros exames, como a ultrassonografia de mama, não indicarem alterações: 38% acreditam que a mamografia só deve ser realizada em caso de achados suspeitos em outros exames, enquanto 16 % não sabe dizer.

Mas 51% dos entrevistados da pesquisa não sabem da importância dessa regularidade: 30% dos entrevistados estão convencidos de que, após um primeiro exame com resultado normal, a mulher estaria livre para realizar apenas o autoexame em casa, enquanto 21% da amostra afirma não saber qual seria a orientação correta.

A pesquisa também aponta que 33% das mulheres entrevistadas não possuem informações adequadas sobre a relação entre idade e câncer de mama: 10% não sabem nada ou preferem não opinar sobre o assunto, enquanto 8% acreditam que aquelas com 40 anos ou mais jovens não precisam se preocupar com a doença e 13% estão convencidos de que as mulheres devem iniciar os exames de rastreamento somente quando entrarem no menopausa.

Fatores de risco

A pesquisa mostra que o desconhecimento sobre o câncer de mama entre as mulheres entrevistadas vai além da falta de informação sobre a conduta adequada para a detecção precoce. A maioria ignora a relação entre estilo de vida e doença: 58% das mulheres não associam o excesso de peso como fator de risco, enquanto 74% não identificam a relação com o consumo de álcool.

Por outro lado, o herança a genética é o fator mais citado pelos entrevistados quando questionados sobre as causas do câncer de mama: 82% estão convencidos de que a existência de outros casos do tumor na família seria o principal motivo para o desenvolvimento da doença. A literatura médica, no entanto, indica que apenas 5% a 10% de todos os casos estão associados a esse elemento.

Os participantes da pesquisa desconhecem, por exemplo, a relação entre os comportamentos associados às mulheres modernas e o câncer de mama: apenas 17% sabem que não ter filhos biológicos aumenta o risco da doença, e muitos ignoram o efeito protetor da amamentação, como esta é o caso de 55% dos entrevistados de Porto Alegre e 54% dos de São Paulo.

Elementos ligados ao perfil reprodutivo das mulheres também compõem a gama de fatores de risco para o câncer de mama, como a menopausa tardia (após os 55 anos), mas apenas 13% das entrevistadas conhecem essa informação. Além disso, apenas 8% sabem que a primeira menstruação antes dos 12 anos também aumenta esse risco.

Ah, os mitos…

Alguns mitos relacionados ao tema ainda estão presentes na população estudada: 8% das mulheres que responderam à pesquisa atribuem o câncer de mama a causas divinas, alegando que a doença surgiu porque “estava nos planos de Deus”.

Além disso, 6% das mulheres acreditam que o tumor está relacionado à possibilidade de a mulher “não ter perdoado alguém”, acumulando mágoa.

Entre as mulheres mais jovens, aparecem algumas fake news recorrentes sobre o assunto: na faixa que abrange as entrevistadas de 20 a 29 anos, por exemplo, 47% não estão convencidas de que o tipo de sutiã usado não impacta no risco de ter câncer de mama: 11% acreditam que modelos com protuberâncias aumentam esse risco e 36% não sabem opinar sobre o assunto.

Considerando todas as faixas etárias, tanto em Porto Alegre quanto em Belém, apenas 59% dos entrevistados sabem que a relação com essa peça de vestuário é falsa.

Pandemia

Dados da pesquisa indicam que o cenário de pandemia continua impactando a atenção à saúde da mulher. Quando questionadas sobre os exames de mama realizados nos últimos 18 meses, 48% das participantes responderam que não realizaram procedimentos com acompanhamento médico: 21% recorreram ao autoexame e 27% não realizaram nenhuma avaliação nesse período.

Apenas 34% dos entrevistados afirmam ter feito mamografia nos últimos 18 meses. Aproveite o mês de outubro, quando se fala muito sobre a saúde da mulher, e vá ao médico para ver como está a saúde dela.

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