campanha busca combater o estigma da doença – Agência AIDS

Uma campanha lançada na quarta-feira busca reduzir o estigma da varíola dos macacos em relação às pessoas LGBTI+. Idealizada pelo Instituto Matizes em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas – UNFPA Brasil e o Fórum Empresarial e Direitos LGBTI+ e com apoio do Grupo Fleury, a iniciativa visa disseminar informações precisas sobre a doença, visando auxiliar no seu enfrentamento no campo biomédico campo e, sobretudo, social, prevenindo a discriminação, o estigma e aumentando a carga de preconceito que já recai sobre alguns grupos, principalmente LGBTI+.

“Esta campanha vem como resposta à nossa preocupação com alguns sinais enviados na comunidade internacional que sugerem que esta seria uma doença exclusiva de uma determinada orientação sexual. Isso pode não só aumentar o preconceito e o estigma contra as pessoas LGBTI+, mas também desinformar e responsabilizar as pessoas que não fazem parte desse grupo por se cuidarem e se prevenirem”, afirma Lucas Bulgarelli, diretor executivo do Instituto Matizes.

Bulgarelli explica que esse momento inicial é crucial para a construção de informações corretas sobre a doença.

“É muito difícil convencer todas as pessoas que ouvem que a varíola dos macacos é um vírus gay de que isso não é verdade. Por isso, ressaltamos a necessidade de fornecer informações precisas, que não produzam estigmatização”, destaca o diretor-executivo do Instituto Matizes.

Um relatório produzido pela iniciativa, ao qual O GLOBO teve acesso exclusivo, mapeia a chegada da doença ao país e analisa diversos atores que influenciaram a divulgação de informações sobre o assunto, desde a imprensa e órgãos oficiais até especialistas, movimentos sociais e influenciadores digitais. .

O documento, intitulado “A chegada da varíola ao Brasil”, mostra que, em relação à pandemia de coronavírus, o surto de varíola ocupou um tímido espaço na imprensa. Além disso, os autores afirmam que alguns dos erros observados no início da epidemia de HIV/AIDS foram cometidos.

“Demonstramos neste relatório que alguns erros se repetiram; Os meios de comunicação britânicos divulgaram fortemente em seus principais jornais durante um mês inteiro a ideia de que a varíola era uma doença associada a homens que fazem sexo com homens, bissexuais e gays”, diz a reportagem.

Segundo ele, a percepção incorreta de que a varíola é uma doença de gays, bissexuais e homens que fazem sexo com homens é um fenômeno global que tem origem em pesquisas realizadas em vários países no início desse surto global, que indicaram uma doença de prevalência neste grupo. No entanto, ele ressalta que a varíola não é uma doença nova e que desde então se sabe que sua transmissão ocorre por contato íntimo.

“Uma busca cuidadosa permitiria que as informações fossem acompanhadas desde o início com a ressalva de que, por se tratar de uma doença viral, e já ter sido identificada em outros lugares, não poderia estar associada apenas a um determinado grupo ou suas práticas sexuais”, diz o documento. .

No Brasil, o primeiro caso registrado oficialmente da nova varíola ocorreu no final de maio. Até o final de agosto, mais de 4.000 casos haviam sido confirmados no país, segundo informações do Ministério da Saúde. O Brasil também é o país com o maior número de vítimas no mundo, com oito mortes confirmadas.

“No caso do Brasil, algo que tem preocupado é a demora na vacina. Até hoje não temos calendário de vacinação para varicela e acabamos tendo uma incidência muito alta de casos. Isso chama a atenção e é um ponto de preocupação”, diz Bulgarelli.

Portanto, a última seção do relatório traz um conjunto de estratégias, informações e caminhos para o enfrentamento social e biomédico da doença. Entre as diretrizes elencadas estão o desenvolvimento de “protocolos de atendimento que respeitem a identidade de gênero, sexualidade, raça, etnia e origem dos pacientes, evitando atitudes discriminatórias, excludentes e estigmatizantes”; “abertura de campos específicos nos sites oficiais das secretarias de saúde para informar sobre ‘varicela’, com dados, prevenção, sintomas, orientações sobre o que fazer se tiver contato com o vírus, como tratá-lo, onde buscar ajuda, como informar empregadores, instituições de ensino e redes de sociabilidade, inclusive familiares” e estabelecimento de protocolos sanitários e sociais pelas empresas, para “conduta em caso de suspeita de infecção por varíola entre seus empregados, e como proceder nos casos confirmados da doença, visando não estigmatizar, garantir o sigilo da pessoa, o devido encaminhamento aos serviços de saúde e acompanhamento na sua ausência, se for o caso”.

A campanha também terá uma cartilha voltada para serviços de saúde, empresas, ativistas LGBTI+ e população em geral, visando disseminar informações corretas sobre a doença e prevenir a discriminação, o estigma e a ampliação do ônus do preconceito que já recai sobre alguns grupos, principalmente LGBT+.

Fonte: O Globo

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