Influenza A: Brasil registra aumento de casos; os sintomas podem ser confundidos com os da gripe comum

Cinco semanas atrás, resultados de testes positivos Gripe A em laboratórios privados no Brasil manteve-se acima de 20%, com pico de 34%. O índice é considerado alto (geralmente abaixo de 5%) e está próximo ao registrado em janeiro deste ano, quando o país enfrentou um surto da doença, com 44% de positividade nos testes. Os dados são do Instituto Todos pela Saúde (ITpS), que analisou 458.514 exames de 1º de fevereiro a 15 de outubro. A vacinação contra a gripe, principal medida preventiva, está abaixo do esperado pela Ministério da Saúde.

Para Marcelo Bragatte, pesquisador científico do ITpS, um dos principais fatores que podem estar influenciando o aumento dos casos de gripe é a flexibilização dos cuidados contra o contágio, como a flexibilização do uso de máscaras devido à diminuição dos casos de covid-19. “As pessoas estão saindo mais, lotando mais e, com isso, o vírus Influenza A também circula mais”, explica o especialista. Apesar de causar doenças diferentes, o coronavírus e a Influenza A, que inclui os subtipos mais comuns H1N1 e H3N3, têm semelhanças em termos de disseminação e contágio.

O clima também pode ter levado a um aumento no número de casos da doença. Segundo o infectologista e diretor clínico do Grupo Fleury, Celso Granato, o clima frio e chuvoso que atingiu algumas regiões do Brasil nos últimos meses contribuiu para o aumento da procura por exames e também para o número de resultados positivos.

A cobertura da vacinação contra a gripe está em baixa, de acordo com o Painel da Gripe,
A cobertura da vacinação contra a gripe está em baixa, de acordo com o Painel da Gripe, Foto: Tiago Queiroz/Estadão

“Já notamos, há cerca de dois meses, um aumento muito importante na positividade dos testes realizados em laboratório. Saímos de cerca de 100 notificações (de testes positivos) por semana e chegamos a 1.500″, diz ele, citando dados do Estado de São Paulo. Nas últimas duas semanas, o número caiu, mas continua alto – cerca de 1.000 notificações por semana.

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Quem está no pronto-socorro do hospital vê esses aumentos na prática, mas tranquiliza ao relatar que a maioria dos casos não é grave. “A perceção que temos tido é de uma maior procura de cuidados médicos para doentes com sintomas respiratórios, mas não vemos um aumento das internações por gripe”, explica o infectologista João Prats, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Paulo. O perigo é maior para idosos e crianças, que são mais suscetíveis à doença.

Tanto o resfriado comum quanto a gripe influenza apresentam sintomas respiratórios e, portanto, podem ser confundidos. Nesse sentido, vale ficar atento à intensidade dos sintomas: a gripe tem reflexos mais intensos, tende a refletir em todo o corpo e causa febre.

“É comum que, com a gripe, sintamos dores no corpo, tenhamos febre e nos sintamos mais para baixo do que com um resfriado comum. No resfriado comum, geralmente temos tosse, coriza, um pouco de dor de garganta, mas geralmente é leve. Mas não com a gripe, geralmente é mais aguda”, explica Prats.

Em relação à covid, é possível diferenciá-la da gripe pelo tempo de início e duração dos sintomas em casos graves das doenças. “A gripe é mais rápida. Nos casos mais graves da doença, começamos a observar uma piora do quadro clínico do paciente, como falta de ar, em até 24 horas. Na covid, demora cerca de dez dias para o paciente começar a ter falta de ar e piorar significativamente.”

Hoje, a gripe contamina mais pessoas do que a covid. Considerando todos os testes positivos analisados ​​pelo Instituto Todos pela Saúde – dos laboratórios privados parceiros do instituto –, 62,6% detectaram Influenza A; 26,5%, vírus sincicial respiratório (VSR); e 10,5%, SARS-CoV-2.

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Os números são alarmantes, segundo Bragatte, porque, mesmo antes da pandemia do coronavírus, os percentuais de positividade da gripe coletados pelo instituto sempre foram relativamente baixos. Isso significa que, mesmo antes de as pessoas começarem a circular menos e usar máscaras, a gripe não atingiu picos tão altos de disseminação como agora.

Como agravante, a cobertura vacinal contra a gripe é baixa, segundo o Painel da Gripe, atualizado diariamente pelo Ministério da Saúde. Até o momento, a Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe 2022 imunizou totalmente – com duas doses ou uma dose única da vacina – cerca de 60 milhões de pessoas. A expectativa era que 77 milhões de pessoas fossem imunizadas contra a doença.

Tanto para Bragatte quanto para Prats, a melhor forma de proteção contra a gripe é a vacinação, que deve ser feita corretamente, com doses de reforço. Como o vírus Influenza A é um vírus de RNA, possui uma estrutura mais simples e é mais suscetível a mutações do que um vírus que possui material genético de DNA. E quanto mais mutações um vírus é propenso a sofrer, maior deve ser o reforço da vacina contra ele. Portanto, a Influenza A, assim como o coronavírus, exige vacinação anual.

“Todos os anos são mapeadas as novas cepas do vírus Influenza, as mais encontradas. Depois, a vacina é reforçada para que as pessoas, ao serem novamente vacinadas, fiquem mais protegidas contra as principais variantes em circulação”, explica Bragatte.

A imunização contra a Influenza deve ser feita nos postos de saúde durante os períodos de campanha, conforme anunciado pelas prefeituras. É administrado a grupos elegíveis e é indicado para proteger principalmente contra complicações da doença, como pneumonias bacterianas secundárias. Idosos, gestantes, crianças e alguns profissionais têm prioridade, mas todos os cidadãos têm direito à vacina, que é gratuita.

O número de doses da vacina influenza e o volume são estabelecidos de acordo com a faixa etária da seguinte forma (as informações são do portal Gov.br e FrioCruz):

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  • Crianças de 6 meses a 2 anos de idade, 2 doses com intervalo mínimo de 3 semanas;
  • Crianças de 3 a 8 anos de idade, 2 doses com intervalo mínimo de 3 semanas;
  • Crianças a partir dos 9 anos e adultos, dose única.

Dicas para prevenir infecções respiratórias causadas por vírus

  • Garantir que os ambientes onde há aglomeração de pessoas tenham boa ventilação, mantendo portas e janelas abertas sempre que possível;
  • Especialmente para pessoas que correm maior risco de desenvolver formas mais graves de gripe e outras doenças causadas por vírus respiratórios, use máscara em ambientes movimentados;
  • Sempre lave as mãos após ter contato com outras pessoas e usar transporte público;
  • Evite ao máximo tocar o rosto com as mãos;
  • Mantenha a vacina da gripe em dia, pois o imunizante previne o desenvolvimento de episódios mais graves da doença.

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