Triagem pode reduzir mortes por câncer de pulmão – 03/10/2022 – Roche

O câncer de pulmão é o tipo de câncer que mais mata no mundo. Uma doença silenciosa e agressiva, que geralmente não manifesta sintomas na fase inicial. “São cerca de 3 milhões de óbitos por ano. Esse número é tão alto porque, em geral, o diagnóstico ocorre com a doença em estágio avançado e com metástase para outros órgãos”, diz Gilberto de Castro Júnior, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e oncologista do Hospital Sírio-Libanês em São Paulo.

O tabagismo está associado a 80% dos casos de câncer de pulmão. “Geralmente são pacientes que fumaram muito, a vida toda, e têm outras comorbidades, como insuficiência coronariana e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), o que agrava o quadro.”

No entanto, é importante notar que nem todos os tipos de câncer estão associados ao tabagismo. É preciso ter em mente que o câncer de pulmão não é uma doença única: existem vários tipos de tumor e o diagnóstico preciso, identificando o tipo e subtipo de câncer, é fundamental para definir os cuidados adequados.

Nesse sentido, a medicina de precisão evoluiu nos últimos anos e é considerada um tratamento de ponta. “Precisamos reconhecer, identificar e diagnosticar alterações no tumor para definir o tratamento mais específico, com maior eficácia, menor custo a longo prazo e com menor toxicidade”, afirma.

Como a maioria dos cânceres de pulmão não apresenta sintomas nos estágios iniciais, mais de 80% dos casos são diagnosticados em estágio avançado, segundo dados do Registro Hospitalar do Câncer (RHC) do Instituto Nacional do Câncer (INCA), divulgados pela Oncoguia Instituto. . “Por isso é fundamental realizar o rastreamento no grupo de alto risco, principalmente em fumantes. Com uma tomografia de tórax com baixa dose de radiação, é possível diagnosticar precocemente e reduzir a mortalidade por câncer de pulmão.”

O Brasil ainda não possui um protocolo de rastreamento do câncer de pulmão – conjunto de métodos que facilitam a detecção precoce e o diagnóstico do câncer. Nos Estados Unidos, a US Preventive Services Task Force recomenda que fumantes ou pessoas que pararam de fumar há menos de 15 anos, com idade entre 50 e 80 anos e história de 20 anos de maço” (que fumaram o equivalente a 1 maço por dia durante 20 anos ou 2 maços por dia durante 10 anos), faça esta TC específica anualmente.

“Entre os médicos, não existe uma cultura de solicitação de exame de rastreamento de câncer de pulmão no Brasil. A discussão sobre um protocolo de rastreamento está acontecendo, mas esbarra em uma série de dificuldades. A principal delas é o baixo acesso a exames de imagem”, diz Castro.

Para Luciana Holtz, fundadora e presidente do Instituto Oncoguia,

ONG e portal voltado para a qualidade de vida de pacientes com câncer e do público em geral, esse tema deve ser prioritário. “Precisamos enfrentar a discussão sobre o programa de rastreamento do câncer de pulmão com tomografia de baixa dose. Os critérios estão muito bem definidos e só podemos oferecer isso para pessoas do grupo de alto risco”, diz.

Nos Estados Unidos, pesquisas recentes mostram que o rastreamento reduziu em 20% o número de mortes pela doença.

Luciana Holtz diz que já existe um movimento de várias instituições para mudar esse cenário. “As sociedades de pneumologia, cirurgia torácica e radiologia discutem a criação de um consenso para a detecção precoce do câncer de pulmão.”

A triagem para pessoas que fazem parte do grupo de risco teria encurtado a jornada de pacientes como Iane Cardim, 53 anos, analista judiciária e professora aposentada de Salvador (BA).

Iane teve gripe em junho de 2014 e ficou com uma tosse que não passava. “Em seis meses passei por 16 médicos”, conta.

A primeira radiografia só foi solicitada pelo décimo médico consultado. “Fui diagnosticado com sinusite e até refluxo: 15 médicos disseram que eu não tinha nada no pulmão. Eu era fumante desde os 18 anos: fumava dois maços por dia e declarava isso em todas as consultas. Mesmo assim, eles só pediram a primeira tomografia computadorizada seis meses depois.”

Iane só piorou. Os acessos de tosse se intensificaram e ela começou a sentir uma dor na costela que a impedia de se deitar. “Dormi sentado, tossi tanto que tive que parar de trabalhar no tribunal e mal podia dar aula. Perdi 20 quilos.”

Quando o diagnóstico correto chegou era adenocarcinoma de pulmão com metástase para a costela. Iane iniciou o tratamento, que continua até hoje.

“Fiz 129 sessões. Meu câncer diminuiu e se estabilizou: tornou-se uma doença crônica.”

Além da necessidade do rastreamento do câncer para a população de alto risco, Castro e Luciana ressaltam que é fundamental alertar as pessoas sobre a importância de não fumar. “O Brasil adotou uma política antifumo, que é referência mundial. Mas não podemos negligenciá-la. A redução do número de fumantes nas últimas décadas está ameaçada pelo aumento do consumo de cigarros eletrônicos, narguilés e tabaco de enrolar , que também aumentam o risco de câncer de pulmão”, diz Castro.

CAMPANHAS DE SENSIBILIZAÇÃO

A Roche e o Instituto Oncoguia estão iniciando novas campanhas para ajudar a conscientizar pessoas, fumantes e não fumantes, sobre o risco de câncer de pulmão.

A Oncoguia lançou a campanha: Câncer de Pulmão, Eu?. “Você só tem um pulmão para correr o risco de desenvolver câncer de pulmão, e essa é uma informação importante. Todo mundo precisa saber como cuidar do pulmão, quais sintomas precisam ser investigados, qual médico procurar. Essa campanha fala com todos: fumantes e não fumantes -fumantes”, enfatiza Luciana Holtz.

Enquanto a Oncoguia reforça a importância da informação e conscientização sobre os cuidados que precisamos ter, a Roche destaca o novo momento da história da doença a partir dos avanços da ciência e do aprendizado da comunidade científica e dos pacientes em sua campanha global “Redefinindo o Pulmão Câncer”. A empresa quer contribuir para mudar a percepção da sociedade e combater o estigma sobre o câncer de pulmão, mostrando que a doença precisa receber a atenção necessária para que os pacientes vivam mais e melhor.

Saiba mais em: https://go.roche.com/cancer-pulmao-bc-folha.

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